Alcoolismo é tema de discussão e de atividades em sala de aula

Reportagem publicada no jornal GAZETA DO OESTE no dia 4 de maio foi tema de atividades de estudantes

 

Teatro de fantoches foi desenvolvido pelos alunos na escola Lourdes Mota Foto: Edinilto Neves

Não basta só ler o jornal, é preciso ir além da notícia, “ler para além das linhas”, como diz o doutor Ezequiel Theodoro, autoridade na área de leitura no país. Esse é o objetivo do programa Ler para Saber Mais, vinculado ao Programa Jornal e Educação (PJE), desenvolvido em todo o país por cerca de 60 jornais filiados à Associação Nacional de Jornais (ANJ).

O incentivo à leitura começa com a distribuição diária de jornais às escolas participantes, que este ano são 20.

Todos os dias, com o jornal na sala de aula, os professores leem criticamente seu conteúdo juntamente com os alunos. As escolas, por sua vez, montam estratégias para que todos os estudantes possam ler o jornal e, mais do que isso, mostrar o que aprenderam com a leitura, que não fica apenas na superficial.

No mês de maio, duas escolas desenvolveram atividades durante o período a partir de uma notícia publicada no jornal GAZETA DO OESTE.

Com o título “Adolescentes afirmam que consumo de bebidas alcoólicas entre eles é comum”, publicada no dia 4 de maio, as escolas levaram a reportagem para a sala de aula e fizeram uma leitura, procurando ir além do que a notícia informava.

A Escola Municipal Lourdes Mota, em Apodi, utilizaram a reportagem para trabalhar como o álcool chega até o jovem. Os professores organizaram atividades e convidaram pessoas que já passaram pela experiência do vício da bebida para conversar com os alunos, orientando-os a ficar longe de bebida alcoólica.

Na Lourdes Mota, os alunos produziram textos, charges, cordel, paródias e fizeram entrevistas com ex-alcoólatras.

De acordo com a professora de Educação Física Simone Paiva, a atividade não vai parar com essa reportagem. O próximo passo é uma visita ao grupo de Alcoólicos Anônimos (AA), para ouvir relatos de pessoas que se envolveram com a bebida. “Uma coisa que descobrimos com essa atividade é que a maioria das meninas usa o álcool, mas nega que faça uso”, disse a professora. “Além disso, a gente vê que tem muitos pais envolvidos com a bebida. Pela manhã temos um caso de aluno que está rebelde por causa do comportamento dos pais”, completa a professora.

Segundo ela, todos os alunos, durante as atividades, mostraram que o álcool chega a destruir o ser humano. “A gente tenta o máximo conscientizar sobre as drogas, principalmente o álcool.

Durante as atividades, o 8º ano fez entrevista com ex-alcoólatras para saber como era a vida deles antes e depois de se envolver com a bebida.

O estudante Abner Ramires Alves Moreira, 13, fez um cordel sobre o assunto. “O álcool é muito ruim, faz muito mal ao cérebro. Eu comecei a imaginar isso e aí fiz o cordel”, explica.

 

Hoje em dia os estudos

Nos fazem compreender

Como o álcool é forte

E faz mal pra mim e pra você

 

Para que a ingestão descontrolada

Se podemos ter uma controlada e moderada?

 

O álcool é perigoso

Causa muitos acidentes

Muita gente morre

Quando está inocente

Por causa do álcool

Aqui morre muita gente

 

O álcool é perigoso

Causa muitos acidentes

O povo todo é teimoso

Tem muito menino novo

Morrendo tão inocente

 

As crianças de hoje em dia

Andam morrendo demais

A cachaça com sua agonia

Mata até o Satanás

Ela causa muita folia

Na festas ou carnavais

 

O álcool é muito ruim

Para nossa sociedade

Os bêbados dizem assim

Um nome muito covarde

Porque eu não posso dizer

Essa imoralidade

 

As pessoas não têm consciência

Do que pode acontecer

Quando for tarde demais

Nada poderá fazer

 

O governo de hoje em dia

Não está fazendo nada

Contra essa boemia

Dessa maldita cachaça

Que todos os adolescentes

Provaram dessa desgraça

 

Essa droga é muito ruim

Para nossa sociedade

Usada tanto assim

Com essa desigualdade

Ela faz mal para mim

E para a popularidade.

Autor: Abner Ramires Alves Moreira

Escola se surpreende com idade de estudantes que bebem

Estudantes da escola Antonio da Graça Machado apresentaram cartazes durante projeto

A Escola Municipal Professor Antonio da Graça Machado, em Mossoró, também desenvolveu atividades com o tema alcoolismo. De acordo com a supervisora Elizângela Rocha, cada sala apresentou atividades referentes ao tema. Foram paródias, causos, poemas, conversas com a equipe do Programa de Combate e resistência às Drogas (PROERD) e leitura de textos.

Durante um mês a escola esteve envolvida com a discussão a respeito da bebida alcoólica. “A gente se surpreendeu com a quantidade de alunos que já provou o álcool”, revela a supervisora.

Como a escola é de ensino fundamental e contempla as séries iniciais, até o 5º ano, realmente dá para surpreender, pois os estudantes têm idade de até 12 anos.

Outra descoberta da equipe da escola foi que as meninas também fazem uso da bebida, não apenas os meninos.

Para a supervisora, isso é preocupante, pois altera o comportamento da criança. Além disso, os pais também acabam influenciando os filhos no consumo. “Na próxima reunião dos pais esse assunto entrará na pauta da reunião, para que possamos conversar com os pais a respeito disso”, informou.

Como tarefa de casa, as crianças se prontificaram a orientar os pais e os amigos quanto ao uso do álcool.

Para quem acha que ler é apenas passar os olhos pelo papel, se engana. Quando os estudantes começam a pesquisar, a discutir e ter outra visão do que leu, essa concepção de leitura muda. O leitor compreende que a leitura não se encerra no papel, mas continua quando se começa a conversar sobre o assunto até mesmo com um colega. A leitura ultrapassa as páginas do jornal. “Tem sido muito válido esse trabalho que estamos fazendo na escola. Hoje o aluno tem pedido o jornal para ler”, diz a supervisora Elizângela.

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